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Campanha 2018: Caixa apresenta proposta inaceitável
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Campanha Salarial | 08/08/2018 | 10:08:11
Campanha 2018: Caixa apresenta proposta inaceitável
Além de não garantir direitos, como PLR Social e manutenção do Saúde Caixa nos moldes atuais, direção do banco apresenta minuta que ignora mais de 30 cláusulas do atual acordo coletivo específico de trabalho; quarta-feira 8 será realizada assembleia, e nova negociação está agendada para o dia 17.
 
 
Na quinta rodada de negociação específica da Caixa dentro da Campanha Nacional 2018, a direção do banco apresentou uma proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que ignora dezenas de direitos atualmente garantidos pelo acordo atual. A negociação ocorreu nesta terça-feira 7, em São Paulo.

Dentre os direitos garantidos pelo ACT atual que não foram citados na proposta apresentada nesta terça 7 estão: horas extraordinárias; adicional de trabalho em horário noturno; PLR Social; isenção de anuidade do cartão de crédito; juro do cheque especial diferenciado; tarifas em conta corrente; ausências permitidas; escala de férias; jornada de trabalho; Saúde Caixa; suplementação do auxílio doença (licença caixa); adicional de periculosidade e insalubridade; intervalo para descanso respeitando a Norma Rergulamentadora 17; homologação das rescisões; Grupos de Trabalho para discutir Saúde Caixa, Saúde do Trabalhador e contencioso Funcef; negociação permanente; incentivo a elevação por escolaridade; Incorporação REB; mais contratações; abrangência do ACT.

A lei trabalhsita que entrou em vigor no ano passado (Lei 13.467) acabou com o princípio da ultratividade. Com isso, qualquer direito assegurado por um acordo coletivo de trabalho pode ser suspenso ou suprimido pela empresa até que um novo acordo seja ratificado. 

"Recebemos a proposta com grande espanto porque além de não atender as reivindicações dos empregados pela manutenção de direitos com a inclusao de novas cláusulas, como designação efetiva das funções e a incorporação de função após 10 anos, ela ainda ignorou diversas cláusulas garantidas historicamente”, avalia Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).

"O debate dos empregados da Caixa e a cobrança que fazemos em mesa vem sendo não de ampliação dos direitos, e sim de manutenção das conquistas históricas que os trabalhadores, cada dia mais sobrecarregados e sempre comprometidos com a Caixa 100% pública, merecem. Nada mais, nada menos”, afirma o dirigente.  

Assembleia, nova rodada e protesto nacional
 
Os representantes dos trabalhadores explicitaram a insatisfação com relação a minuta apresentada na mesa de negociação e pressionaram por uma nova rodada de negociação, que será realizada no dia 17, na sequência da próxima negociação com a Fenaban.
 
O representante do RS na mesa de negociação da Caixa, Gilmar Aguirre, reforça a convocatória para as assembleias desta quarta-feira, dia 8, que os sindicatos de todo o País estão a chamar. "Participe dela em seu sindicato, muita unidade e compreensão desse momento é imprescindível . Todos por tudo, nenhum direito a menos", afirma. As assembleias no Rio Grande do Sul acontecem às 18h nos sindicatos. 


PLR Social ameaçada
 
Com relação a PLR, os representantes do banco disseram que seguirão a regra Fenaban. Já PLR social não foi citada.

Nas negociações anteriores, os representantes do banco não garantiram seu pagamento. "Deixamos claro que a nossa PLR Social tem o objetivo de reconhecer o trabalho executado pelos trabalhadores e por isso eles querem e devem ser recompensados. Defendemos que o Acordo Coletivo de Trabalho tem que avançar e não retroceder", diz Dionísio.

Direção do banco se pautará pela reforma trabalhista
 
Durante a negociação, representantes do banco mais uma vez afirmaram que se pautarão pela reforma trabalhista – lei que modificou dezenas de artigos da CLT e acabou com uma série de direitos dos trabalhadores. 

A direção do banco tampouco garantiu a incorporação de remuneração de função, direito histórico dos empregados retirado pela direção da empresa, antes mesmo da aprovação da reforma trabalhista, que só está sendo mantido por liminar obtida na Justiça pelo Sindicato. 

O banco mantém a designação de função exclusivamente por minuto dos caixas, além de ameaçar utilizar também com avaliadores e tesoureiros. A CEE/Caixa cobra o fim do Caixa Minuto, programa que significa a uberização do trabalho, e o banco apenas mantém a função efetiva dos atuais Caixas.  

Proposta aniquila Saúde Caixa
 
Com relação ao Saúde Caixa, a direção da Caixa apresentou a seguinte proposta: 

"A Caixa oferece aos empregados e respectivos dependentes, assistência à saúde, em modalidade, forma e condições modificáveis a qualquer tempo, respeitadas as normas da ANS e orientações estabelecidas pela CGPAR.” 

A resolução 23 da CGPAR (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União) exclui os aposentados atuais e futuros do plano de saúde; elimina contribuição por grupo familiar; e "quebra a solidariedade", o princípio pelo qual os empregados contribuem da mesma forma, independentemente do tempo de banco e idade. A CGPAR é um órgão submetido ao Ministério do Planejamento.

"A proposta apresentada pela direção do banco é preocupante, porque além de reafirmar que o Saúde Caixa será submetido às resoluções da CGPAR, que praticamente aniquilam o convênio dos trabalhadores do banco, ainda  abre a possibilidade de suas cláusulas serem ‘modificáveis a qualquer tempo’”, alerta Dionisio. 

Proposta excludente aos aposentados
 
A proposta apresentada pelos representantes do banco nesta terça-feira 7 é especialmente excludente com relação aos aposentados.

"É uma tristeza absoluta constatar que a Caixa apresentou uma proposta totalmente excludente com relação aos aposentados, porque além de acabar com a cobertura do Saúde Caixa para essas pessoas que deram a vida pelo banco, ainda não garantiu a isenção de tarifas e condições especiais de juros para os empregados e ex-empregados”, afirma Dionisio Reis.  

"Essa proposta apresentada é inaceitável e os trabalhadores devem se mobilizar, fazer reuniões nos locais de trabalho, comparecerem à assembleia na quarta 8 e participarem do Dia do Basta na sexta-feira 10”, reforça o dirigente.
 
Informações: Contraf-CUT e SPBancários
 
 
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