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Bancários se mobilizam contra a MP 905
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Direito do Trabalhador | 21/11/2019 | 14:11:53
Bancários se mobilizam contra a MP 905
Plenária sinaliza para indignação com medida de Bolsonaro e para início de uma jornada de luta em defesa da jornada de seis horas e contra o trabalho aos sábados
 
 
Depois que Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, editaram a Medida Provisória 905/2019, em 11 de novembro, uma onda de indignação tomou conta das agências e postos de trabalhos bancários. Na plenária de mobilização e discussão sobre a MP 905, na noite da quarta-feira, 20/11, no auditório da sede da Federação dos Bancários (Fetrafi-RS), em Porto Alegre, a indignação ganhou impulso e os bancários decidiram se mobilizar nesta quinta-feira, 21/11, e participar em Porto Alegre do Dia Nacional de Luta contra a MP 905.
A partir das primeiras horas da manhã, dirigentes do Sindicato estarão trabalhando para deixar claro aos colegas e à população os efeitos danosos da MP 905 sobre a vida de todos os trabalhadores. Se a MP do extermínio impõe o fim da jornada de seis horas dos trabalhadores bancários e o trabalho aos sábados, ela ataca também todas as outras categorias de trabalhadores. Isso porque impõe desconto de 7,5% sobre o do seguro-desemprego.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, explicou que a plenária da noite da quarta foi um chamado à mobilização. "Nosso objetivo é mostrar nacionalmente que a nossa categoria é forte e sabe responder às ameaças de governos alinhados com banqueiros. Essa MP do Bolsonaro é tão nefasta para os bancários que acaba com comissionamentos e ameça conquistas como a Participação nos Lucros e Resultados (PLR)”, avalia Gimenis.

Outra questão importante ressaltada pelo presidente diz respeito ao que ele chama de "fake news” na apresentação da justificativa da MP 905. "Não tem lógica e é um absurdo dizer que a MP 905 vai criar mais empregos. Mentiram que iam criar milhões de empregos com a reforma Trabalhista e temos mais de 12 milhões de desempregados. Não se gera emprego aumentando carga horária de seis para oito horas diárias. Se um trabalhador tem que ficar mais tempo no trabalho, ele trabalha mais e o patrão não precisa contratar mais ninguém, pois a MP aumenta carga horária e reduz a renda”, salienta.

Assista ao vídeo com presidente do SindBancários, Everton Gimenis, logo após o fim da plenária.
 


O SindBancários cumpre nesta quinta-feira, 21/11, as orientações do Comando Nacional dos Bancários. O Comando se reuniu com representantes da Fenaban em São Paulo, no dia 14/11, e chamou os sindicatos de todo o país à resistência. Uma nova reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban está marcada para a terça-feira, 26/11, em São Paulo.

No dia 14, o Comando obteve o compromisso de os bancos não aplicarem o que determina a MP 905 até a semana que vem. Embora seja reconhecida como inconstitucional por juristas e operadores do direito trabalhista, a MP tem validade de 60 dias, que podem ser prorrogados por mais 60 dias. Portanto, pode valer até a segunda metade de março antes de ser votada no Congresso Nacional.

"Vamos fazer uma grande mobilização amanhã (nesta quinta, 21/11) para mostrar para a Fenaban que não vamos aceitar conluio com governo ultradireitista para retirar direitos que conquistamos com muitas lutas e muitas greves. Vamos lutar muito para derrotar a Fenaban e esta MP absurda do Bolsonaro e do Paulo Guedes”, finalizou Gimenis.

Entenda os principais retrocessos da MP 905


Fim das 6H

A MP do Bolsonaro é pior do que uma reforma trabalhista. Acaba com a jornada de trabalho de 6H dos(as) bancários. E impõe jornada de 8H e mais 4H de trabalho aos sábados, domingos e feriados É o fim das funções de analista, assistente de gerente e outra que geram comissionamento.

Fim das comissões

Se hoje o(a) bancário(a) que trabalha 8H é comissionado(a), a maldita MP vai acabar com as comissões e promover uma devassa com demissões. O banqueiro vai poder contratar alguém por um salário abaixo do piso da categoria e sem direito a comissão, porque a jornada de 6H acaba.

Fim da PLR

A MP do Bolsonaro quer individualizar a negociação da PLR. O banqueiro vai chamar o bancário e dizer: "Assina aí. Este ano, tu não fez nada pelo banco e não vai ter PLR”. Hoje, todos os bancários ganham a mesma PLR porque têm um acordo coletivo que regula o pagamento.

Mais desemprego

O Bolsonaro tem dito que a MP é para criar mais emprego para os jovens. Mas isso é conversa fiada, mais uma fake news. É que os bancos vão poder demitir os comissionados ou quem recebe horas extras para empregar quem eles quiserem ou fechar agências e postos de trabalho. Se vai demitir, como vai gerar emprego?

Fonte: Imprensa SindBancários

 
 
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