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Ato na Assembleia Legislativa defende plebiscito sobre venda da CEEE, Sulgás e CRM
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Movimentos Sociais | 19/03/2019 | 15:03:29
Ato na Assembleia Legislativa defende plebiscito sobre venda da CEEE, Sulgás e CRM
Diretores da Fetrafi-RS estiveram na atividade para apoiar demais entidades e lutar pelo patrimônio do Estado
 
 
O Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa ficou totalmente lotado no início da noite desta segunda-feira (18) para o ato em defesa da manutenção do plebiscito na Constituição do Rio Grande do Sul. Muitos tiveram que acompanhar os debates em pé ou sentaram no chão.
A grande mobilização foi uma resposta contundente à PEC 272/2019, do governador Eduardo Leite (PSDB), que tramita no Parlamento e prevê a retirada do direito dos gaúchos e das gaúchas de decidir sobre o futuro da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) e Companhia Riograndense de Mineração (CRM).

Além de trabalhadores e trabalhadoras das três empresas, Corsan e Banrisul, compareceram os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro, o ex-ministro Miguel Rossetto, vários deputados federais e estaduais do PT e PSol, o prefeito de Candiota, Adriano dos Santos, diversos vereadores e dirigentes sindicais.
 
Ato geral

Todos levantaram várias vezes os cartazes e ergueram as suas vozes para reivindicar "Plebiscito Já!" Houve também apresentação de um vídeo da campanha de mídia, produzido pela Interlig, defendendo a consulta à população.

O evento foi promovido pelo Fórum de Combate às Privatizações, coordenado pelo ex-deputado Pedro Ruas, e contou com o apoio da CUT-RS e da Frente em Defesa do Patrimônio Público, integrada por sindicatos e federações que representam trabalhadores de empresas públicas estaduais e federais.

Ex-governadores lembram que não é preciso vender para governar

Os dois ex-governadores do PT, que preservaram o patrimônio público e nunca atrasaram salários de servidores, defenderam o plebiscito e aproveitaram o ato para aderir durante o evento aos dois abaixo-assinados em defesa do plebiscito, que as entidades sindicais estão passando em todo o Estado.

Olívio frisou que "a democracia se consolida pela participação da sociedade nas decisões”, salientando que o povo deve ser sujeito e protagonista.

"Nossas empresas públicas geraram e podem gerar ainda mais recursos para o Estado. Não são propriedades dos governos que se alternam, mas do povo que utiliza os seus serviços públicos”, explicou. "São propriedade do povo, construídas por gerações e é o povo quem deve tomar a decisão se deseja vender este patrimônio", ressaltou Olívio.

"Sou contra privatizações”, defendeu, "mas não sou contrário ao direito democrático de discutir". Ele enfatizou que o tema das privatizações precisa ser amplamente debatido.
 
Tarso e Olívio assinam
 

O capital financeiro quer se apropriar do estado

Para Tarso, "o processo que está acontecendo aqui no Estado é uma nesga do que tem ocorrido em todo o mundo. Direitos sociais estão sob o ataque. É uma estratégia, e isso inclui esta tentativa de acabar com a previdência pública: diluir o capital social para que o sistema financeiro se aproprie dele", apontou o ex-governador.

"Quando uma dívida não é honrada, o capital vem e diz o que tem que vender. E, quando não se pode vender por mecanismos como a Constituição do Estado, o capital tenta garantir nos tribunais”, afirmou Tarso. "Em nossos governos do PT instituímos muitas empresas públicas e eficientes como a EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias), que também está na mira dos privatistas”, alertou.

"Estão convencendo grande parte da população que o mal do Brasil é o Estado, enquanto nações desenvolvidas protegem o seu desenvolvimento tomando pra si serviços estratégicos, como é a produção de energia", apontou Tarso.

Para ele, a consulta popular não pode ser eliminada, pois "o plebiscito faz a articulação democrática com a questão econômica". Tarso pediu unidade na resistência, pois o poder de manipulação do capital é grande. "Precisamos mostrar que a luz privada ficou mais cara, pois deixou de ser subsidiada”, citou.

Estão passando a conversa na população

"Estou ficando de saco cheio de passarem a conversa na gente. Falaram que tirando a Dilma resolveria os problemas do Brasil e retomava o desenvolvimento. Até briga de marido e mulher iria resolver. Falaram que fazendo a reforma trabalhista resolveria os problemas dos Brasil e retomava o emprego, mas foi um desastre. Passaram a conversa”, observou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.”Prenderam o coitado do Lula sem nenhum crime. Passaram a conversa.”

"Agora estão passando a conversa com a reforma da Previdência. Se fizer, os problemas do Brasil estão resolvidos”, alertou o dirigente sindical. Ele aproveitou para convocar o Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência, que ocorrerá na próxima sexta-feira (22). "Convoco vocês a defender a aposentadoria, com a mesma garra e determinação que vocês defendem as empresas públicas, para despertar a população de que essa reforma acaba com a sua aposentadoria. Ninguém elegeu Bolsonaro para fazer a reforma da Previdência. Só com uma grande greve geral vamos colocar as coisas no lugar”.

"Aqui no Estado eles afirmaram, naquela época, que vendendo a CRT, entregando a CEEE e acabando com a Caixa Estadual, acabariam os problemas do Rio Grande do Sul e a iniciativa privada faria mais e melhor”, lembrou. "Hoje sabemos das reclamações dos consumidores das telecomunicações e da RGE, não por culpa dos seus trabalhadores, mas pela ganância de ganhar mais no menor tempo possível”, denunciou Nespolo.

"Estamos juntos com vocês, como estivemos no passado. Vamos pegar o abaixo-assinado e passar junto aos metalúrgicos, aos trabalhadores da alimentação e saúde, aos professores, fazendo a defesa do patrimônio público”, concluiu.
 
Plebiscito já
 

Não existe democracia sem soberania popular

A presidente do Senergisul, Ana Maria Spadari, afirmou que o povo gaúcho uniu forças para defender o setor energético, financeiro e de saneamento. "Temos um compromisso que a iniciativa privada não tem. Mesmo sucateando a CEEE, conseguimos nos manter e chegamos em primeiro lugar em distribuição”, destacou

Ela explicou que as empresas públicas têm compromisso com o social, com tarifas mais baixas para quem não pode pagar. As privadas não tem isso. "Não podemos permitir esse ataque ao serviço público. Pagamos taxas simbólicas para manter hospitais. A CEEE não visa lucro. Ela está aí para realizar o papel social”, salientou.

"Nós estamos aqui defendendo  a soberania de um povo, um projeto de nação, um tipo de desenvolvimento, um tipo de sociedade queremos”, disse Spadari. Ela frisou que "o que nos move é a democracia, pois não existe democracia sem soberania. Temos que brigar até o fim pelo direito de decidir”.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, fez um alerta aos trabalhadores de outras estatais, afirmando que, se essas três empresas públicas lucrativas podem ser rifadas pelo governador, o Banrisul não está livre, "Onde passa um boi, passa uma boiada", disse Gimenis.

Também se manifestou o presidente do Sindiágua-RS, Leandro Almeida, destacando a luta permanente em defesa da Corsan e contra a privatização do saneamento. Ainda usaram a palavra dirigentes do Sindicato dos Mineiros de Candiota, do Sintramico-RS, do Sintec-RS, da CTB-RS e da Intersindical.
 
Fonte: CUT-RS
Leia a matéria na íntegra no site da CUT-RS
 
 
 
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