Bancos | 14/06/2017 | 13:06:34
Sartori ameaça incluir outras empresas públicas em plebiscito
Governador concedeu entrevista à RBS TV
 

Os banrisulenses já sabem que aquilo que o governador José Ivo Sartori (PMDB) diz não se pode escrever, como diz o ditado. Em 2015, logo depois de assumir o governo do Estado, disse em uma recepção na TVE que não extinguiria a empresa pública de comunicação que inclui a TVE. Desejou "vida longa à Fundação Piratini” e, no ano passado, mandou pacotaço a Assembleia Legislativa que incluía a extinção dessa Fundação entre outras.

Nesta terça-feira (13), em entrevista ao vivo no estúdio do Jornal do Almoço da RBS, o governador inovou ao apelar para a ameaça ao jogar o Banrisul e o Badesul, de novo, na linha da privatização, federalização ou extinção.

Aparentemente de olho nas eleições do ano que vem, Sartori adotou um tom de aviso em seu discurso: em relação à impossibilidade de realizar plebiscito para vender ou federalizar empresas públicas, o governador do Estado disse que pode ampliar o número de empresas em um suposto plebiscito no ano que vem. Preste atenção à frase do governador: "Se não for feito neste ano, no ano que vem vou repensar o processo e incluir outras empresas.”

Durante a mesma entrevista, o governador desconversou ao responder à pergunta sobre o fato de que o Estado não teve competência para realizar o plebiscito este ano. Posou de democrata e de interessado em ouvir à população. "Acho que não demoramos. Fizemos o caminho certo de ouvir a ALRS. Enviamos ainda no ano passado e fomos a todas as audiências públicas. Seguimos o caminho democrático.”

Não foi bem assim. Em dezembro do ano passado, Sartori apresentou Projetos de Lei na Assembleia Legislativa para extinguir as fundações estaduais, FEE, Fundação Piratini, Fundação Zoobotânica entre outras. O parlamento gaúcho foi cercado pela Brigada Militar e servidores públicos que protestavam na Praça da Matriz e arredores viraram alvo de bombas de gás lacrimogênio e violência da Brigada Militar.

Em maio deste ano, ele entregou um documento precário à presidência da Assembleia Legislativa para aprovar o plebiscito e não conseguiu. Não teve quórum e perdeu todos os prazos para realizar plebiscito em 2017. O prazo era até esta terça-feira (13).

Banrisul não está livre da privatização

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre tem repetido, desde 2015, que o Banrisul não está livre de federalização ou de venda , que é o mesmo, desde que Sartori assumiu. Aliás, no último dia 2, os banrisulenses ocuparam a Praça da Alfândega em ato de mobilização permanente em defesa do Banrisul público.

"O Sartori sofreu uma grande derrota nesta sua tentativa de privatizar o Banrisul. Não teve votos na Assembleia para derrubar o artigo 22 da Constituição Estadual, que obriga a realizar plebiscito para vender empresas públicas, e agora faz nova ameaça. Os banrisulenses devem ficar atentos, porque ele não vai desistir de privatizar o Banrisul. A nossa mobilização em defesa do Banrisul tem que ser permanente”, alerta o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

A derrota de Sartori na Assembleia Legislativa quanto à venda do Banrisul, a joia da coroa do Estado, foi fruto da luta dos banrisulenses junto com o SindBancários, sindicatos do Interior e Fetrafi-RS. Em 22 de março, os banrisulenses lotaram o Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa, no ato de instalação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrsiul Público. Para tanto, os banrisulenses conseguiram 24 das 19 assinaturas necessárias.

"O governador foi eleito sem projeto. Ou melhor, tinha um projeto de desmontar o Estado. O Sartori agora quer posar de democrático, mas não passa de um autoritário que veio para terminar o serviço que o Britto começou nos anos 1990 quando vendeu a CRT, dizendo que ia acabar com a dívida pública. O que aconteceu é que a dívida cresceu mesmo vendendo empresa pública”, lembrou Gimenis.

Alternativas para enfrentar a crise

O Sindicato entende que o governador perdeu tempo. Depois de voltar de uma visita ao Japão, ele foi ao encontro do interino Michel Temer, nesta mesma terça-feira (13). O governador quer arrastar o Estado para o terrível Regime de Recuperação Fiscal em que a contrapartida do Estado é vender empresas públicas para ficar três anos sem pagar a dívida pública.

O problema é que o estoque da dívida, de cerca de R$ 50 milhões, vai crescer. Estimativas apontam para a cobrança de juros dos credores nos três anos de moratória, o que deve aumentar em R$ 30 bilhões o estoque da dívida, pulando para R$ 80 bilhões.

Mas há alternativas para enfrentar a crise fiscal histórica. Uma delas é buscar um encontro de contas entre o que o Estado deve para a União e o que tem de receber de créditos da Leia Kandir, cerca de R$ 45 bilhões. A dívida poderia cair 10 vezes, recuando para R$ 5 bilhões.

Leia abaixo trechos da entrevista de Sartori ao Jornal do Almoço da RBS!

REPÓRTER EM FRENTE À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

"Não há mais chance alguma de ter plebiscito este ano. O assunto não foi nem tocado na reunião. Não há mais chance de acelerar a votação deste projeto. Vocês estão vendo agora um ato em frente a porta onde acontece a reunião de líderes, protestando contra o projeto de plebiscito e ficaram até os deputados saírem da reunião que já terminou. O que acontece com este projeto? Ele vai passar por todas as comissões da Casa antes de ir a plenário para daí decidir se vai ter plebiscito.”

Sartori ao vivo no Jornal do Almoço da RBS

Cristina – Governador, qual sua análise da informação?

Sartori – É uma pena. Eu acho que o povo deveria ser consultado. A população deveria ter direito ao voto. Infelizmente, acho que isso vai atrasar e vai trazer mais deficiências.

Tulio – Por que demorou tanto?

Sartori – Acho que não demoramos. Fizemos o caminho certo de ouvir a ALRS. Enviamos ainda no ano passado e fomos a todas as audiências públicas. Seguimos o caminho democrático.

Cristina …

Sartori – Não acho que isso vai influenciar. Mas ajudaria muito, no caso da CEEE. Não é papel do poder público ficar minerando carvão ou distribuindo gás. O papel do Estado é cuidar das pessoas.

Tulio – E o jantar com o Temer, o que vai ser discutido?

Sartori – Fomos convocados pelo governo federal. O primeiro assunto é o BNDES e também sobre o Regime de Recuperação Fiscal. Avaliamos durante todo este tempo as empresas e por isso propusemos a ALRS. E queríamos que a população tivesse direito a voto. Se não for feito neste ano, no ano que vem vou repensar o processo e incluir outras empresas.

Tulio – Vai ser candidato para defender esse processo?

Sartori – Acho muito cedo. Agora é hora de tratar de arrumar a Casa, melhorar o Estado e criar as condições para que se mude a realidade que está aí. É preciso ouvir a população, escutar, ela tem direito a voto, a decidir o Estado que queremos.

Tulio – O senhor considera esclarecido o dinheiro que recebeu por ter apoiado Aécio Neves?

Sartori – Quem tem que responder é quem está envolvido no processo. Tudo tem que ser esclarecido. Quem praticou uma maldade tem que ser julgado para o bem da política e do serviço público.

Cristina – Como foi a viagem ao Japão?

Sartori – Me surpreendi com a recepção dos japoneses. Visitamos a Usina de Carvão que eles têm. Conversando com os bancos que são financiadores e com a parte do meio ambiente. No carvão tem grande possibilidade e, ambientalmente, tem uma coisa muito correta. É preciso usar esta tecnologia aqui para ter interesses na exportação do carvão daqui. Houve uma conversa com cerca de 300 empresários pequenos e médios e com os bancos que estão dispostos a trazer os investidores para o RS.

*Imprensa/SindBancários